INICIATIVA PIONEIRA DO TRT DA PARAÍBA TORNA O JUDICIÁRIO MAIS ACESSÍVEL
Existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.
Sócrates
No site do colega Maurício Bastos, Juiz do Trabalho no RS, tomei conhecimento da iniciativa do TRT da Paraíba no sentido de facilitar a compreensão do andamento processual às partes (veja o vídeo abaixo).
Nada mais oportuno.
Desde o meu ingresso na magistratura, acalento o sonho de me fazer entender pelos destinatários das minhas decisões. E posso assegurar: é uma tarefa por demais árdua.
Em primeiro lugar se apresenta como obstáculo o invencível volume de trabalho, que obriga o Magistrado a se servir de auxiliares, nem sempre bem capacitados no domínimo da língua portuguesa. Consequentemente, despachos de rotina, minutas de decisões, mandados, ofícios etc., são redigidos de forma apressada, valendo-se de expressões corriqueiras na seara jurídica em detrimento de expressões simples, que bem poderiam traduzir de modo mais acessível os comandos judiciais.
Outro dificultador é a falta de políticas administrativas voltadas ao aperfeiçoamento dos magistrados. O esforço contra esse problema, em geral, é individual. Os cursos oferecidos pelos tribunais, quando oferecidos, quase sempre se desenvolvem nas capitais, o que complica muito a frequência de Juízes que atuam no interior, como no meu caso. Além disso, a participação não é estimulada como poderia ser, exigindo-se esforços sem contrapartidas. Via de regra, por exemplo, não são designados juízes substitutos para realização de audiências previamente agendadas.
De outra parte, as metas para o Judiciário que vêm sendo fixadas nos últimos dois anos pelo CNJ também não contemplam ações no sentido de ampliar o acesso ao Judiciário ou, dito de outro modo, de tornar o Judiciário mais acessível a todos. É óbvio que se fazer entender é uma forma de abrir as portas, de se fazer transparente e democrático.
O que mais me entristece é ver materializado nos olhos das pessoas que comparecem ao “Ministério” (como popularmente é conhecida a Justiça do Trabalho) aquela mesma incompreensão de Joseph K. diante da estrutura burocrática e surreal que movimenta O Processo (Frarnz Kafka).
Quiçá, um dia, Juízes, Advogados, Serventuários e todos os que dominam os segredos da linguagem jurídica a abandonem em troca da linguagem simples, correta, concisa e precisa.
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