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Este Blog é dedicado aos estudantes do Direito Material e Processual do Trabalho e, em especial, àqueles que pretendem ingressar na Magistratura do Trabalho.


O MÉTODO DE ESTUDO - SEGUNDA PARTE

sábado, 12 de setembro de 2009

DOCUMENTAÇÃO

Dando continuidade à minha proposta de um método de estudo eficiente, vou abordar a questão da documentação. Faço-o sob a batuta do Antônio Joaquim Severino e seu Metodologia do Trabalho Científico, mas de olho na tecnologia que hoje está sob nosso alcance. Digo isso, porque o livro citado é relativamente antigo e não leva em conta a possibilidade de documentar o estudo eletronicamente. Ora, se você está lendo este texto é porque tem um computador a sua disposição e nele pode organizar seus estudos. Sendo assim, a forma de arquivamento e de organização que vou sugerir é essa.

Muito bem, a respeito da importância da documentação, diz o nosso autor:

"Não traz resultados positivos para o estudo ouvir aulas, por mais brilhantes que sejam, nem adianta ler livros clássicos e célebres. Isso só tem algum valor à medida que se traduzir em documentação pessoal, ou seja, à medida que esses elementos puderem estar à disposição do estudante, a qualquer momento de sua vida intelectual."

Todos nós, em algum momento, já fizemos resumos de textos que estudamos. Geralmente nos empenhamos nisso quando nos preparamos para uma prova da faculdade ou para apresentar algum seminário. Logo, é fácil concluir que essa prática é eficiente, porque quando necessitamos aprender algo, nos utilizamos dela. Na preparação para o concurso é a mesma coisa.

Mas, para que seja bem aproveitada, a prática deve ser aperfeiçoada. É preciso ver os "resumos" como documentação da vida de estudos e, para isso, é preciso tratá-los como tal (o conteúdo dessa documentação, ou seja, o resumo da análise e interpretação dos textos que fizemos, será tratado na próxima postagem). Indo diretamente ao assunto proposto, vamos tratar de duas formas de documentação, a temática e a bibliográfica.

1) Documentação Temática

Segundo nosso guru:

"Tal documentação é feita (...) seguindo-se um plano sistemático, constituído pelos temas e subtemas da área ou do trabalho em questão. A esses temas e subtemas correspondem os títulos e subtítulos que encabeçam as fichas, e formam um conjunto geral de fichas ou fichário."

Nessas fichas (que serão arquivos elaboradas no editor de textos do computador) devem ser feitas as anotações referentes ao assunto em questão. As anotações serão fruto de pesquisas, leituras, aulas, conferências e seminários que desenvolveremos ao longo da nossa preparação. Portanto, tudo que cair em nossas mãos a respeito de determinado tema, inclusive decisões jurisprudenciais importantes, será analisado, interpretado e catalogado na mesma ficha.

Como são várias as fontes que comporão cada ficha temática, ao fazer os registros é bom citá-las, porque futuramente este material poderá ser utilizado para elaboração de artigos para publicação. Assim, ao fazer uma transcrição literal, o texto citado deverá estar entre aspas. Se a referência não for literal, contendo apenas as idéias do autor estudado, a menção à fonte também não pode ser dispensada. Por fim, nestes registros também vão as idéias e reflexões do próprio estudante, que, por óbvio, dispensam aspas e referências.

A organização desses arquivos no computador poderá ser feita por pastas. Por exemplo, ao estudar sobre justa causa, o arquivo temático terá este nome (Justa Causa) e ficará organizado assim:

No decorrer dos estudos, novas pastas e arquivos vão sendo acrescentadas, observando a nomenclatura adotada no início. Por exemplo, um arquivo temático sobre aviso-prévio também ficará localizado na pasta Assunto - Terminação, dentro da pasta Título - Contrato de Trabalho; um arquivo sobre os requisitos de validade da contratação será denominado Requisitos de Validade e será arquivado numa nova pasta, denominada Assunto - Início, também dentro da pasta Título - Contrato de Trabalho, e assim por diante.

2) Documentação Bibliográfica

A documentação bibliográfica é útil para catalogar a leitura de artigos publicados em livros, revistas ou na internet, ou de livros que tratam de um assunto específico. O que muda, em relação à documentação temática, é que neste caso será feita uma análise concentrada no texto em questão (sem a preocupação de buscar outros autores sobre o mesmo assunto) e na catalogação será incluída a referência ao autor. Por exemplo, um artigo que trate sobre Remuneração do Empregado Doméstico poderá será catalogado com o nome Remuneração Doméstico – Nome do Autor e arquivado na pasta Assunto – Trabalho Doméstico, da seguinte forma:

Por uma questão prática, o estudo dos manuais e cursos – livros genéricos, que tratam de forma ampla toda a matéria de certa área – deve ser catalogado por tema, porque a documentação bibliográfica não é prática neste caso. Assim, ao estudar certo tema, gorgeta, por exemplo, podemos recorrer ao insubstituível Instituições de Direito do Trabalho (Arnaldo Süssekind, Délio Maranhão, Segadas Viana e João de Lima Teixeira Filho), ao ótimo Curso de Direito do Trabalho (Maurício Godinho Delgado) e aos indispensáveis Comentários à CLT (Valentin Carrion). Cada um abordará a questão de uma maneira diferente, de modo que será mais proveitoso fazer o registro do estudo no arquivo referente à gorgeta e não em três arquivos diferentes, um de cada autor.

Na próxima postagem vou tratar da análise e interpretação de textos, que é, ao meu ver, a parte mais importante e que mais resultados vai trazer para a acumulação do conhecimento.

2 comentário(s):

Cíntia Scherer disse...

Olá!
Obrigada pelas dicas! Tenho acompanhado o blog sistematicamente (como parte da rotina necessária)embora este seja o primeiro comentário. Ele tem sido, além de generoso, bastante útil para fortalecer um esquema eficiente de estudo. Acho mesmo que organizar é importante, mas não pode aprisionar a ação. Eu já caí nesta armadilha antes e fiquei muito tempo "preparando" o estudo sem, contudo, estudar efetivamente. Serviu de alerta.
Sigo por aqui, acompanhando. Abr.
Cíntia

Alcides Otto Flinkerbusch disse...

Olá Cíntia. Obrigado por suas palavras. Um abraço e boa sorte na sua preparação!

Sobre o Autor

Alcides Otto Flinkerbusch é Juiz do Trabalho desde 2001. Atualmente é o titular da Vara do Trabalho de Alegrete, RS. É graduado em Direito pela PUC-PR, Especialista em Direito e Processo do Trabalho pelo Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos - IBEJ, e Mestre em Direito pela UNISINOS – RS. Também é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Paraná.

Veja o currículo completo na plataforma Lattes do CNPq clicando aqui.

Estudos do Autor

A DIMENSÃO SOCIAL DOS DIREITOS HUMANOS - Estudo para a Reconstituição dos Fundamentos Éticos dos Direitos Sociais. 2006. (Dissertação de Mestrado).

Uma Perspectiva Crítica sobre a Aplicação do Direito do Trabalho em vista da Concepção do Direito como Tecnologia. In: Aldacy Rachid Coutinho; Célio Horst Waldraff. (Org.). Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho - Temas Atuais. 01 ed. Curitiba: Juruá, 2000, v. , p. 75-100.

Execução das contribuições sociais pela Justiça do Trabalho. Questões controvertidas e implicações decorrentes da Emenda Constitucional n. 45/2004. In: Francisco Rossal de Araújo. (Org.). Jurisdição e Competência da Justiça do Trabalho. São Paulo: LTr, 2006, v. , p. 249-270.

Constitucionalismo Social e Socialismo Formal - Insuficiências Estruturais e Epistemológicas na Implementação dos Direitos Sociais Constitucionalmente Garantidos. 2005. (Artigo inédito).

Contribuições do Processo do Trabalho para a Efetividade do Processo Civil. 2004. (Artigo inédito).

Direito do Trabalho na Transição Paradigmárica - Questões Introdutórias. 2004. (Artigo inédito).

As Três Dimensões Constitutivas do Direito na Teoria dos Sistemas de Niklas Luhmann. 2004. (Artigo inédito).

Relativismo e Universalismo na Fundamentação Intercultural dos Direitos Humanos. 2004 (Artigo inédito).


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